JAC J6
JAC J6

Antes de fazer o teste com o JAC J6, fui conhecer o Nissan Grand Livina, o Kia Carens e a pré-histórica Chevrolet Zafira. Essa última está com os dias contados e já está sendo substituída pelo Chevrolet Spin. O Spin não está disponível ainda para teste, mesmo assim utilizarei sua ficha técnica para comparar ao J6, visto que não faz sentido utilizar a quase extinta Zarifa na comparação.

Novamente fui muito bem atendido na Concessionária da JAC de Natal e pude olhar, fuçar e dirigir o J6.

Ele não tem o luxo, o acabamento nem o motor do Kia Carens. Mas custa R$ 20.000 a menos e é 1 cm menor no comprimento apenas. Já em relação aos outros concorrentes ele é 19 cm maior que o Spin e 13 cm maior que o Grand Livina.

DESIGN

Pininfarina. Esse nome por si só já diz muito sobre o design do carro. Mas não espere ver uma Ferrari de 7 lugares. O J6 é bonito e atual mas, como a maior parte dos carros do segmento, não é um primor no quesito design. De qualquer forma, respeitando o estilo da marca, os compridos faróis dianteiros, juntamente com os vincos no capô, tornam a frente muito harmônica. A traseira também é moderna, com as lanternas triangulares no alto invadindo as laterais.

As barras laterais no teto também ajudam a modernizar o chinesão.

INTERIOR/CONFORTO

JAC J6 – Bancos Traseiros

Esse é, certamente, o grande ponto positivo do J6. Salvo pelo tecido dos bancos que são de um veludo grosso daqueles que dão a impressão de que ficarão cheios de bolinhas com o tempo (igual as blusas que usava para ir à escola quando criança). Vale à pena optar pelo couro.

Quanto ao espaço interno ele é o melhor da categoria e talvez seja ameaçado apenas pelo Kia Carens, que também é excelente nesse quesito.

Os 5 bancos traseiros são individuais e podem ser reclinados (excelente posição para viajar dormindo), dobrados, rebatidos e retirados individualmente. Também podem, individualmente, ser movidos para frente ou para trás como na saudosa Scenic, da Renault. Toda essa versatilidade, torna fácil encontrar o melhor espaço para todos os 7 ocupantes viajarem com conforto. Claro que, se você tem mais de 1,80 mts, não vai sentir-se confortável por muitos kilometros nos dois bancos da última fileira. Não pelo espaço para o joelho mas porque o assoalho é alto e seu joelho vai ficar quase batendo no queixo. Mas para ter uma idéia, é MUITO melhor que viajar na Zafira, por exemplo. Eu falo com a propriedade de meus 1,85 mts.

Um ponto que, a princípio causa estranheza é que não há alavancas para mover e retirar os bancos. Tudo é feito por meio de grossas tiras de nylon. Mas funcionaram muito bem e acho que me acostumaria a isso.

O banco do motorista conta com ajuste de altura e todos os 7 bancos possuem encosto de cabeça (não disponíveis no Grand Livina nem no Spin). Ao dobrar para frente o banco central da fileira intermediária, obtem-se uma mesinha com porta-copos, o que é muito útil em viagens.

O porta malas tem 198 lts contra 123 lts do Grand Livina e 162 lts do recém nascido Chevrolet Spin. Perde apenas para o Kia Carens, que tem 220 lts. Lembro que esses valores referem-se ao espaço com eles configurados para 7 lugares. Se rebatidos os bancos, o J6 chega a 2.200 lts de espaço para bagagem.

J6 – Console de teto

Outros ítens de conforto de série são:

  • O ar condicionado é digital com saída dupla (frente e trás)
  • Direção hidráulica
  • O vidro é elétrico nas 4 portas.
  • Console central funcional e de fácil acesso
  • Console de teto com porta óculos
  • Luz de cortesia nos dois quebra-sóis
  • Diversos “porta trecos”
  • Rádio integrado ao painel com controles no volante (embora, no volante, os controles pareçam muito frágeis)
  • Air bag duplo
  • Abs

O acabamento, embora melhor que dos outros chineses que conheci, ainda gera uma certa insegurança sobre

J6 – Interior – Frente

o que acontecerá após os 20.000 ou 30.000 km. A impressão que dá é que os plásticos estarão rangendo em pouco tempo. Contudo, isso só o tempo dirá.

DIRIGINDO O J6

O banco do motorista é muito confortável e é fácil encontrar a melhor posição para dirigir.

A direção hidráulica é bem dimensionada e peca apenas pela empunhadura, pois o aro é mais fino do que estamos acostumados no Brasil. Acho que a JAC até percebeu isso e entrega o volante revestido em couro de série.

O acesso aos comandos e ao câmbio é fácil e a ergonomia é boa.

O motor 2.0 16V, com seus 136 cv, carrega bem os 1.500 kg do J6. Exceto na arrancada, que é onde percebe-se claramente a diferença entre os motores 16V conhecidos no Brasil e os chineses. Todos, exceto o Chery QQ, são um pouco amarrados na arrancada. Novamente, nesse quesito, o J6 perde apenas para o Kia Carens com seus 149 cv (e 100 kg a mais). Já o Nissan Grand Livina vem com motor 1.8 16v de 125 cv e o recém nascido Chevrolet Spin vem com motor 1.8 de 108 cv.

J6 Painel
J6 Painel

Passei fácil dos 100 km/h em uma avenida de Natal e fiquei surpreso com o isolamento acústico. Mesmo com o alto giro do motor, o ruído no habitáculo é baixo e não incomoda. Confesso que até esperava mais ruído, visto que os chineses não ligam muito para o conforto.

O câmbio manual de cinco marchas tem engates muito bons e melhores que os do irmão menor J3. Não é um esportivo mas não tive nenhuma dificuldade em reduzidas e trocas rápidas. Apesar do grande motor, a embreagem é leve e de fácil acionamento. Não há opção de câmbio automático ainda no Brasil para o J6.

A suspensão foi redimensionada especialmente para o Brasil e não deixa a desejar. Andei em ruas esburacadas, passei por lombadas e ruas de paralelepípedo e a maior parte das imperfeições do asfalto foram absorvidas sem problemas. Infelizmente não andei no último banco para testá-los também e checar se não pulam demais.

CONCLUSÃO

Fiquei com uma boa impressão do carro. Entre as opções de 7 lugares que citei, o J6 só perde para o Kia Carens no conjunto da obra. Mas leve-se em conta que o Carens custa R$ 20.000 a mais, o que não é pouca coisa.

Mesmo sendo mais barato que o Carens, ainda acho que seus R$ 58.000,00 são salgados e mostram novamente que o Sr. Sergio Habib (dono da Citroen e JAC no Brasil) não veio para brigar no preço e sucumbiu às grandes margens que são praticadas pelas outras montadoras no Brasil. O mesmo carro pode ser adquirido por quase 50% a menos em outros países latinos. A despeito dos impostos, não há dúvidas de que o carro poderia vir por muito menos. Talvez pelo valor do Grand Livina, que custa R$ 52.000 na versão de câmbio manual. Esse também é o preço previsto para o novo Chevrolet Spin na versão 7 lugares.

J6 Bancos todos deitados
J6 Bancos todos deitados

Um ponto importante a avaliar é o consumo. Coisa que não dá para fazer em um test drive.

Portanto, não fosse o preço, seria uma excelente opção para grandes famílias.

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4 comentários sobre “Testei o JAC J6 – O Chinesão de 7 Lugares

  1. O motor da J6 deve ser bem corajoso pra puxar 1500 quilos mais 7 passageiros. É um peso absurdo. Mas nunca ouvi falar mal do desempenho dele. Em um dos fóruns que frequento existe um proprietário de J6, e pelo o que ele diz, é um excelente carro para viagens e condução no dia-a-dia da cidade grande. Bom, é uma opção a se pensar

    1. Obrigado pelo comentário Pedro.
      No teste não foi possível passar muito dos 100 km/h. Assim como outros carros 16 V, ele não arranca como um esportivo e nem é essa a proposta do carro.
      Contudo ficou claro que o J6 é muito confortável para viajar.
      Os bancos individuais ajustáveis o deixam sem concorrentes do mesmo porte no quesito conforto e versatilidade. (Compare com Grand Livina, Kia Carnival, Zafira ou o Spin)
      Abraço e muito sucesso.

      Daniel

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