Depois de alguns meses sem testar nem escrever sobre os chineses, estou de volta.

Após ler o teste de longa duração da revista 4 Rodas (que geralmente mostra-se contra qualquer ameaça às 4 grandes montadoras do cartel existente no Brasil), me surpreendi pelos resultados positivos apresentados e me estimulei a separar um tempo para testar o J3. Portanto aí vão minhas impressões:

ATENDIMENTO

Desta vez vou começar minha avaliação por algo que não está no carro, o atendimento. Claro que na hora de vender todo mundo é positivo e agradável, contudo, como administrador e atuando em cargos de gestão há mais de 15 anos, consigo reconhecer quando há uma preocupação com treinamento e preparação ou se há amadorismo.

A vendedora que me atendeu claramente foi bem treinada. Sabia do que falava sobre os carros (pois gastei muito tempo querendo saber sobre o J6). Sabia sobre a história da JAC. Conhece as estratégias do Sérgio Habib (Presidente do grupo que trouxe a Citroen e a Jac ao Brasil). Ponto para a preparação da equipe de atendimento (embora uma amostra de uma unidade não seja representativa). Agradeço à Sara (JAC Natal-RN) por sua prontidão e profissionalismo.

DESIGN

O carro é bonito e até moderno, mas uma palavra poderia definí-lo bem: “Normal”.

Muito parecido com o Renault Sandero, não se sobressai no trânsito, passando desapercebido. Contudo as linhas são harmônicas e tem um ar esportivo.

INTERIOR

O espaço interno é bom para o motorista e o banco é confortável e anatômico. A posição de dirigir é agradável e, embora tenha dirigido apenas por alguns minutos, fiquei muito confortável. O volante também é bem posicionado e acredito que, em conjunto com o banco, faria com que uma viagem mais longa fosse agradável. Pelo menos muito superior a outros carros que utilizei para viajar, como Novo Uno e Prisma, que logo ao me sentar, ainda na locadora, percebi que teria problemas depois de 30 minutos e tive mesmo.

Não andei no banco traseiro, mas me pareceu ser maior do que um Pálio ou Fiesta.

O acabamento é simples e “plastificado” como nossos nacionais. Contudo os encaixes me pareceram bem feitos e não vi grandes problemas.

Já o tecido do banco, de um veludo grosso, poderia ser mais bonito e merece ser avaliado quando à durabilidade.

O porta-malas atende bem uma família pequena.

Painel Jac J3
Painel Jac J3

O painel é bonito e de fácil leitura. Também é completo, com contagiros e com todos os avisos de praxe, assim como nos outros chineses.

Os comandos do ar, luzes e vidros também são bons e de fácil acesso. Apenas o ajuste do retrovisor elétrico que fica um pouco escondido atrás do volante. Contudo, não é algo que deva-se ajustar com o carro em movimento, o que minimiza o inconveniente.

DESEMPENHO

O motor 1.4 16V, de 108 cv, é ágil e suficiente para empurrar seus 1.060 kg com facilidade. Contudo, fica evidente a lentidão na arrancada, que é comum em outros motores 16 válvulas. Depois de 3.000 rpm o motor fica bem mais solto, fazendo com que o desempenho do carro seja melhor na estrada do que na cidade. Talvez com o processo de amaciamento esse efeito seja reduzido, contudo, assim como no Chery Cielo, torna o carro “pesado” na arrancada.

O câmbio tem engates “secos” (na falta de uma palavra melhor), contudo, precisos. Mesmo quando estiquei as marchas e troquei rapidamente, não mostrou resistência e permitiu trocas relativamente ágeis. Também utilizando o câmbio nas reduzidas para auxiliar a frenagem, foi muito eficiente.

Os freios são bons e mostraram-se eficazes em freadas bruscas. Lembro que testei no asfalto seco, que não é um grande desafio para o ABS.

A suspensão foi, certamente, adaptada às nossas “excelentes” ruas e absorvem bem as imperfeições do asfalto e, mesmo andando rápido no paralelepípedo, não causou desconforto a mim, à vendedora e à minha filha que me acompanharam no teste.

CONFORTO

Esse é um ponto forte dos chineses que testei até agora (exceto na Towner).Qual carro “nacional” oferece vidros elétricos nas 4 portas e retrovisores elétricos como ítens de série? Quais oferecem ainda ar-condicionado, airbag duplo, rádio com MP3 de série?

Some ainda na conta o sensor de ré que, mesmo sendo apenas sonoro, ajuda nas manobras.

Claro que podemos encontrar isso tudo em modelos mais luxuosos, mas por R$ 37.000 nunca vi. Em alguns modelos que custam acima de R$ 40.000, sequer existe a possibilidade de instalar vidros elétricos nas portas traseiras, mesmo como opcional.

Ponto para a JAC nesse quesito que, certamente desafia nossos ditos “nacionais”.

PREÇO

Embora no site da JAC indique R$ 34.990, a vendedora me informou R$ 37.990. E é justamente no preço que a JAC me preocupa. Sérgio Habib conhece o mercado como poucos homens no Brasil e sabe que nós, brasileiros, estamos acostumados a pagar muito por pouco. Já o preço do J3 mostra isso e poderia, com toda certeza, ser mais competitivo. Não adianta usar o aumento do IPI como argumento pois o preço não mudou em nenhum momento e o Faustão é testemunha.

Se o Sr. Habib (Presidente da JAC no Brasil) quiser pegar carona no cartel das montadoras nacionais, abrirá mão do ganho de escala e buscará maiores margens em cada unidade. Isso não ajuda o mercado automobilístico brasileiro e fará com que o Brasil continue sendo campo de exploração (talvez extrativismo seja uma boa palavra) para as marcas mais antigas por aqui, que passarão a ter os chineses como aliados.

CONCLUSÃO

O carro me surpreendeu pois minha expectativa era baixa. Não chega a empolgar, mas tem boa relação custo x benefício. Certamente as quase 250 adaptações feitas do carro original chinês para o que chega no Brasil, fazem diferença.

Some-se à esses benefícios a garantia de 6 anos sem limite de kilometragem. Claro que a garantia cobre defeitos de fábrica e esses aparecerão logo nos primeiros meses de uso, mas, de qualquer forma, é uma política agressiva da JAC para mostrar o quanto seus carros são confiáveis.

Algumas coisas que não consigo avaliar e gostaria da participação dos leitores são:

  • O atendimento nas oficinas e a disponibilidade de peças
  • Preço de revenda.
  • Consumo

VEJA ABAIXO AS ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS

FICHA TÉCNICA

Motor:dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, a gasolina, 1.332 cm³ de cilindrada
Potência: 108 cv a 6.000 rpm
Torque: 14,1 kgfm a 4.500 rpm
Direção: hidráulica
Câmbio: manual de cinco velocidades
Suspensão: dianteira McPherson independente, com molas helicoidais e barra estabilizadora; traseira independente, Dual Link, com molas helicoidais
Freios: a disco ventilado na dianteira e a tambor na traseira com sistemas ABS (antitravamento) e EBD (distribuição eletrônica de frenagem)
Dimensões: 3,96 m de comprimento (4,15 m no sedã Turin); 1,65 m de largura; 1,46 m de altura; 2,40 m de entre-eixos
Peso: 1.060 kg (hatchback) e 1.100 kg (sedã)
Tanque: 48 litros
Porta-malas: 350 litros (hatchback) e 490 litros (sedã)

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3 comentários sobre “TESTEI O JAC J3 – “O chinês sem olho puxado”

  1. Passando pelo shopping, parei e olhei um J3, vendedora me explicou sobre o carro e fiquei muito interessado, porem disse a ela que queria pensar e conversar com a minha companheira para dr uma palavra final. Em fim, mesma me disse q pelo menos eu desse um sinal de 1000 para segurar o carro branco q eu havia gostado e se eu desistisse, devolveria meu dinheiro numa boa. Ao chegar na concessionaria, já que a minha primeira visita foi num stand do shopping, vi meia dúzia de clientes nervosos e insatisfeitos, isso me fez desistir, fiquei com receio e para a minha surpresa o gerente disse que eles não devolvem o dinheiro. A vendedora pelo menos teve a decência de admitir que havia dito sobre a devolução do dinheiro, mas o gerente disse q ainda seria analisado. Chego a conclusão que o pós-venda pelo menos dessa concessionaria aqui na Manoel Dias em Salvador deixa muito desejar. Estou com o meu dinheiro preso, empatado, e percebo q falta de transparência pela parte da Concessionaria.

  2. Muito bom, parece um carro interessante com bom custo x benefício… E a Jac sempre faz jogadas de mercado estranhas, isso quanto ao preço. Acredito que no caso a marca poderia descer mais os valores dos carros, mas como mantiveram após o aumento do IPI, acredito que o preço estipulado por eles é o mais seguro, ai se torna perdoável.

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